2012-02-10

ORIXÁS III









EXU


É o responsável pela comunicação entre homens e deuses. Domina as porteiras e encruzilhadas.


Quando há festa de orixá, Exu sempre recebe a primeira oferenda. É um orixá brincalhão, ousado, bom e ruim ao mesmo tempo. Suas cores são vermelho e preto. Fuma charuto, cachimbo e cigarro. Bebe cachaça, água e mel.


Dia da semana: Segunda-feira


Cores: Preto e vermelho


Símbolos: Tridente, bastão (agô)


Elemento: Fogo


Plantas: Pimenta, capim tiririca, urtiga. Arruda, salsa, hortelã.


Animais: Gato, Cachorro


Metal: Bronze, ferro bruto (minério), terra.


Comidas: Farofa de dendê, bife acebolado, picadinho de miúdos, omolocum. Limão.

Bebidas: Cachaça e batida de mel para Exu; anis e champanha para Pomba-gira.


Sincretismo: Santo Antonio (13.6) e São Benedito (5.10).


Domínio: passagens, encruzilhadas e portas.


O que faz: Vigia as passagens, abre e fecha os caminhos.Por isso ajuda a resolver problemas da vida fora de casa e a encontrar caminhos para progredir,além de proteger contra perigos e inimigos.


Quem é: Mensageiro dos mortais para os Orixás, senhor da vitalidade.


Características: Apaixonado, esperto, criativo, persistente, impulsivo, brincalhão.

Quizília: Comidas brancas e sal.

Saudação: Laroiê!


Onde recebe oferendas: No canto das encruzilhadas, cemitérios.


Riscos de saúde: Dores de cabeça relacionadas a problemas de fígado.

Presentes prediletos: Dinheiro, velas, suas comidas e bebidas preferidas, charutos (Exu) ou cigarros (Pomba-gira).


Observação: Pomba-gira (de Bombogira, nome de Exu em Angola) é o nome dado aos [ supostos ] Exus femininos, [ porém isso não existe, o Mistério Pombagira é totalmente independente do Mistério Exu, embora trabalhem em Campos semelhantes, porém não iguais ]. Na Umbanda, existem muitos Exus e Pombagiras que governam lugares diferentes e auxiliam os vários Orixás.


Lendas


(1) - Exu foi o primeiro filho de Iemanjá e Oxalá. Ele era muito levado e gostava de fazer brincadeiras com todo mundo.Tantas fez que foi expulso de casa.

Saiu vagando pelo mundo, e então o país ficou na miséria, assolado por secas e epidemias.

O povo consultou Ifá, que respondeu que Exu estava zangado porque ninguém se lembrava dele nas festas; e ensinou que,para qualquer ritual dar certo, seria preciso oferecer primeiro um agrado a Exu.

Desde então, Exu recebe oferendas antes de todos, mas tem que obedecer aos outros Orixás, para não voltar a fazer tolices.

(2) - Certa vez, dois vizinhos muito amigos esqueceram de fazer as oferendas devidas a Exu antes de começar a semana de trabaho.

Zangado, Exu resolveu se vingar. Pôs na cabeça um gorro que era vermelho de um lado e branco do outro.

Em seguida, passou calmamente pelo caminho que dividia as terras dos dois vizinhos, cumprimentando-os amavelmente.

Quando ele se afastou, um dos vizinhos perguntou ao outro: "- Quem será este senhor de gorro branco?"E o outro falou: "- Não, o gorro era vermelho!"

E ficaram discutindo se o gorro era vermelho ou branco, até que se pegaram e brigaram até se matar.

(3) - Um homem rico tinha uma grande criação de galinhas. Certa vez, chamou um pintinho muito travêsso de Exu, acrescentando vários xingamentos.

Para se vingar, Exu fez com que o pinto se tornasse muito violento.

Depois que se tornou galo, ele não deixava nenhum outro macho sossegado no galinheiro: feria e matava todos os que o senhor comprava.

Com o tempo, o senhor foi perdendo a criação e ficou pobre. Então, perguntou a um babalaô o que estava acontecendo.

O sacerdote explicou que era uma vingança de Exu e que ele precisaria fazer um ebó pedindo perdão ao Orixá.

Amedrontado, o senhor fez a oferenda necessária e o galo se tornou calmo, permitindo que ele recuperasse a produção.










OXALÁ


Ao contrário de Exu, Oxalá ou Orixalá é o mais calmo. Pai de todos os orixás simboliza a paz, a pureza, a tranqüilidade.

Seu dia é a sexta-feira.

Sua cor é o branco. Come inhame, arroz com mel, milho branco.

Suas frutas são uva, laranja mimo do céu, maça branca.

Bebe água mineral. Seu elemento é o céu.

Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Apresenta-se de duas maneiras: moço – chamado Oxaguian, e velho – chamado Oxalufan.


O símbolo do primeiro é uma idá (espada), o do segundo é uma espécie de cajado em metal, chamado ôpá xôrô.


A cor de Oxaguian é o branco levemente mesclado com azul, do de Oxalufan é somente branco. O dia consagrado para ambos é a sexta-feira.


Sua saudação é ÈPA BÀBÁ ! Oxalá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Orixás do Panteão Africano.


Simboliza a paz é o pai maior nas nossas nações na religião africana. É calmo, sereno, pacificador, é o criador, portanto respeitado por todos os Orixás e todas as nações. A Oxalá pertence os olhos que vêem tudo.


ARQUÉTIPO DOS FILHOS DE OXALÁ


As pessoas de Oxalá são calmas, responsáveis, reservadas e de muita confiança. Seus ideais são levados até o fim, mesmo que todas as pessoas sejam contrárias a suas opiniões e projetos. Gostam de dominar e liderar as pessoas. São muito dedicados, caprichosos, mantendo tudo sempre bonito, limpo, com beleza e carinho. Respeitam a todos mas exigem ser respeitados.



Mitologia de Oxalufã


Oxalá era marido de Nanã, Senhora do Portal da Vida e da Morte. Senhora da fronteira de uma dimensão (a nossa) para outras.


Por determinação da própria Nanã, somente os seres femininos tinham o acesso ao Portal, não permitindo a aproximação dela de seres do sexo masculino, sob hipótese alguma. Esta determinação servia para todos, inclusive para o próprio Oxalá.


E assim foi, durante muito tempo. Porém, Oxalá não se conformava em não poder conhecer o Portal, não só por ser marido de Nanã, como por sua própria importância no panteão dos Orixás.


Assim, pensou, até que encontrou a melhor forma de burlar as determinações de sua esposa. Não fugindo de sua cor branca, vestiu-se de mulher, colocou o Adê (coroa) com os “chorões”, no rosto, próprio das Iabás (mulheres) e aproximou-se do Portal, satisfazendo, enfim, sua curiosidade.


Foi pego, porém, por Nanã, exatamente no momento em que via o outro lado da dimensão. Nanã aproximou-se e determinou:


-Já que tu, meu marido, vestiste-te de mulher para desvendar um segredo importante, vou compartilhá-lo contigo. Terás, então, a incumbência de ser o principio do fim, aquele que tocará o cajado três vezes ao solo para determinar o fim de um ser. Porém, jamais conseguiras te desfazer das vestes femininas e, daqui para frente, terá todas as oferendas fêmeas!


E Oxalá, conhecido por Olufan, passou a comer não mais como demais santos Aborós (homens), mas sim  como as Iabás. E jamais se defez das vestes de mulher. Em compensação, transformou-se no Senhor do principio da morte ( da segunda morte ) e conheceu todo o seu segredo.


Oxalá, portanto, é o fim. Não o fim trágico, mas pacífico, de tudo que existe no mundo. E por isso merece todo o carinho que lhe damos. Por isso, é o nosso salvador, nosso conselheiro, aquele que vem nos momentos de angustia para trazer algo que esse mundo precisa demasiadamente: Paz.





Mitologia de Oxaguian


Oxalá, rei de Ejigbô, vivia em guerra.


Ele tinha muitos nomes, uns o chamavam de Elemoxó, outros de Ajagunã, ou ainda Aquinjolê, filho de Oguiriniã.


Gostava de guerrear e comer. Gostava muito de uma mesa farta. Comia caracóis, canjica, pombos brancos, mas gostava mais de inhame amassado.


Jamais se sentava estava sempre atrasado, pois era muito demorado preparar o inhame.


Elejigbô, o rei do Ejigbô, estava assim sempre faminto, sempre castigando as cozinheiras, sempre chegando tarde para fazer a guerra.


Oxalá então consultou os babalaôs, fez suas oferendas a Exu e trouxe para a humanidade uma nova invenção.


O rei de Ejigbô inventou o pilão e com o pilão ficou mais fácil preparar o inhame e Elejigbô pode ser fartar e fazer todas as suas guerras.


Tão famoso ficou o rei por seu apetite pelo inhame que todos agora o chamam de “Orixá Comedor de Inhame Pilado”, o mesmo que Oxaguian na língua do lugar.




Dados de Oxaguian

Dia:
sexta feira



Data: 15 de janeiro

Metal:
todos os metais brancos



Cor: branco e leitoso com nuances azuis bem claro

Comida:
inhame pilado


Arquétipo: Altos e robustos, porte majestoso, olhar ao mesmo tempo altivo e travesso, elegante e amigo das mulheres, alegre, gosta profundamente da vida, revela-se muitas vezes irônicos, malicioso, prolixo, brincalhão, idealista e defensor dos injustiçados, intuitivo quanto ao futuro. Seu pensamento original antecipa o de sua época, espírito brilhante, facilidade de argumentação. Se rico é generoso e até pródigo. Embora guerreiro não é agressivo, nem brutal.





Dados de Oxalufan


Dia: sexta feira


Data: 15 de janeiro

Metal:
prata, ouro branco, chumbo e níquel

Partes do corpo: parte genital masculina, rins, sêmen, os 16 dentes do maxilar inferior (cauris) que pertencem a Oxalá.


Comida: ebô, acaçá, o ibi (caracol) e o inhame.


Arquétipo: calmos, mas capazes de liderar, bondosos e tolerantes;


Cores: branco, criatalino


Símbolos: cajado (opaxorô), pilão (eninodô),caramujo, dente de elefante


Elemento: ar


Plantas: boldo, saião, inhame, malva


Animais: caramujo


Metal: estanho, prata


Comida: acaçá, inhame, arroz, cuscuz, canjica


Bebida: água


Sincretismo: menino jesus (oxaguiã, oxalá jovem 24.12) e senhor do bonfim (oxalufã, oxalá velho segundo domingo depois do dia de reis, em janeiro)


Domínio: Céu


O que faz: dá felicidade, progresso, saúde.


Quem é: O Grande Pai Celeste, Senhor das almas bem- aventuradas.


Características: líder, benevolente, generoso, responsável, confuso, ansioso, rígido, hipocondríaco


Quizília: cachaça, dendê, bichos escuros


Saudação: Epa Babá!


Onde recebe oferendas: montes, igrejas


Riscos de saúde: circulação deficiente, problemas dos rins


Presentes prediletos: flores e velas brancas, mel, suas comidas e bebidas.


Observação: Oxalá é o Orixá dos inhames novos, unido ao Orixá da agricultura. sua festa ligada ao início do ano agrícola é em agosto e setembro,e inclui a renovação da água do templo e a lavagem dos objetos de culto.


Fonte: dofonodelogum.sites.uol.com.br





AS LENDAS


(1) - Olorun criou Obatalá, Olokum, Odudua e Orumilá. depois deu a Obatalá (o Oxalá original) a tarefa de criar o mundo, entregando-lhe uma sacola com um pó mágico.


Mas obatalá, instigado por Orumilá, que estava zangado por ele não ter cumprido os rituais antes de partir, bebeu muito vinho de palma e adormeceu.


Então, seu irmão e rival Odudua roubou a sacola e usou o pó para criar o mundo antes de Obatalá acordar.


Obatalá foi castigado com a proibição de usar produtos do dendezeiro e bebidas alcoólicas; mas, como consolação, recebeu uma argila para modelar os humanos.


Contudo, como não levou a sério a proibição, continuou bebendo e, nos dias em que se excedia, fazia as pessoas tortas ou mal cozidas.


É por isso que os deformados e os albinos são filhos de oxalá.


(2) - Oxalufã morava com o filho Oxaguiã quando resolveu visitar o outro filho, Xangô.


Ifá disse que ele correria perigo na viagem; mandou levar 3 mudas de roupa, sabão e ori (creme de dendê ); e recomendou que não brigasse com ninguém na viagem.


Oxalufã encontrou Exu Elepó, que o abraçou e sujou de dendê.


Controlando-se para não brigar, Oxalufã se lavou, vestiu roupa limpa e despachou a suja com ori.


Isso se repetiu com Exu Eledu, que o sujou de carvão, e com Exu Aladi, que o sujou com óleo de caroço de dendê.


Adiante, encontrou um cavalo que havia dado ao filho Xangô; quando o pegou, os criados de Xangô chegaram, pensaram que ele estava roubando o animal e o jogaram na prisão, onde ficou por 7 anos.


Nesse tempo, o reino sofreu seca, os alimentos acabaram e as mulheres ficaram estéreis.


Ifá disse que a causa era a prisão de um inocente.


Xangô mandou revistar as prisões e reconheceu o pai.


Ele mesmo o lavou e vestiu, e então o reino voltou a ser próspero.

(3) -
Iemanjá, a filha de Olokum, foi escolhida por Olorum para ser a Mãe dos Orixás.


Como ela era muito bonita, todos a queriam para esposa; então, o pai foi perguntar a Orumilá com quem ela deveria casar.


Orumilá mandou que ele entregasse um cajado de madeira a cada pretendente; depois, eles deveriam passar a noite dormindo sobre uma pedra,segurando o cajado para que ninguém pudesse pegá-lo.


Na manhã seguinte, o homem cujo cajado estivesse florido seria o escolhido por Orumilá para marido de Iemanjá.


Os candidatos assim fizeram; no dia seguinte, o cajado de Oxalá estava coberto de flores brancas, e assim ele se tornou Pai dos Orixás.


(4) - Certa vez, quando os Orixás estavam reunidos, Oxalá deu um tapa em Exu e o jogou no chão todo machucado; mas no mesmo instante Exu se levantou, já curado. Então Oxalá bateu em sua cabeça e Exu ficou anão; mas se sacudiu e voltou ao normal.


Depois Oxalá sacudiu a cabeça de Exu e ela ficou enorme; mas Exu esfregou a cabeça com as mãos e ela ficou normal.


A luta continuou, até que Exu tirou da própria cabeça uma cabacinha; dela saiu uma fumaça branca que tirou as cores de Oxalá.


Oxalá se esfregou, como Exu fizera, mas não voltou ao normal; então, tirou da cabeça o próprio axé e soprou-o sobre Exu, que ficou dócil e lhe entregou a cabaça, que oxalá usa para fazer os brancos.


 MAIS LENDAS


Olodumaré entregou a Oxalá o saco da criação para que ele criasse o mundo. Porém essa missão não lhe dava o direito de deixar de cumprir algumas obrigações para outros Orixás e Exu, aos quais ele deveria fazer alguns sacrifícios e oferendas.


Oxalá pôs a caminho apoiado em um grande cajado, o Paxorô. No momento em que deveria ultrapassar a porta do além, encontrou-se com Exu que, descontente porque Oxalá se negara a fazer suas oferendas, resolveu vingar-se provocando em Oxalá uma sede intensa. Oxalá não teve outro recurso senão o de furar a casca de um tronco de um dendezeiro para saciar a sua sede.


Era o vinho de palma o qual Oxalá bebeu intensamente, ficou bêbado, não sabia onde estava e caiu adormecido. Apareceu então Olófin Odùduà que vendo o grande Orixá adormecido roubou-lhe o saco da criação e em seguida foi a procura de Olodumaré, para mostrar o que teria achado e contar em que estado Oxalá se encontrava.


Olodumaré disse então que “se ele esta neste estado vá você a Odùduà, vá você criar o mundo”. Odùduà foi então em busca da criação e encontrou um universo de água, e aí deixou cair do saco o que estava dentro, era terra. Formou-se então um montinho que ultrapassou a superfície das águas.


Então ele colocou a galinha cujos pés tinham cinco garras. Ela começou a arranhar e a espalhar a terra sobre a superfície da água, onde ciscava cobria a água, e a terra foi alargando cada vez mais, o que em Ioruba se diz IlE`nfê expressão que deu origem ao nome da cidade Ilê Ifê.


Odùduà ali se estabeleceu, seguido pelos outros Orixás e tornou-se assim rei da terra.


Quando Oxalá acordou, não encontrou mais o saco da criação. Despeitado, procurou Olodumaré, que por sua vez proibiu, como castigo a Oxalá e toda sua família, de beber vinho de palma e de usar azeite de dendê. Mas como consolo lhe deu a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos nos quais ele, Olodumaré insuflaria a vida.

OUTRA LENDA DE OXALÁ



Um dia Oxalufam, que vivia com seu filho Oxaguiam, velho e curvado por sua idade avançada, resolveu viajar a Oyó em visita a Xangô, seu outro filho. Foi consultar um babalaô para saber acerca da viagem. O adivinho recomendou-lhe não seguir viagem. Ela seria desastrosa e acabaria mal.


Mesmo assim, Oxalufam, por teimosia, resolveu não renunciar à sua decisão. O adivinho aconselhou-o então a levar consigo três panos brancos, limo-da-costa e sabão-da-costa, assim como a aceitar e fazer tudo que lhe pedissem no caminho e não reclamar de nada, acontecesse o que acontecesse. Seria uma forma de não perder a vida.


Em sua caminhada, Oxalufam encontrou Exú três vezes. Três vezes Exú solicitou ajuda ao velho rei para carregar seu fardo, que acabava derrubando em cima de Oxalufam. Três vezes Oxalufam ajudou Exú, carregando seus fardos imundos. E por três vezes Exú fez Oxalufam sujar-se de azeite de dendê, de carvão, de caroço de dendê.


Três vezes Oxalufam ajudou Exú. Três vezes suportou calado as armadilhas de Exú. Três vezes foi Oxalufam ao rio mais próximo lavar-se e trocar suas vestes. Finalmente chegou a Oyó. Na entrada da cidade viu um cavalo perdido, que ele reconheceu como o cavalo que havia presenteado a Xangô.


Tentou amansar o animal para amarrá-lo e devolvê-lo ao filho. Mas neste momento chegaram alguns súditos do rei à procura do animal perdido. Viram Oxalufam com o cavalo e pensaram tratar-se do ladrão do animal. Maltrataram e prenderam Oxalufam. Ele, sempre calado, deixou-se levar prisioneiro.


Mas, por estar um inocente no cárcere, em terras do Senhor da Justiça, Oyó viveu por longos sete anos a mais profunda seca. As mulheres tornaram-se estéreis e muitas doenças assolaram o reino. Xangô desesperado, procurou um babalaô que consultou Ifá, descobrindo que um velho sofria injustamente como prisioneiro, pagando por um crime que não cometera.


Xangô correu para a prisão. Para seu espanto, o velho prisioneiro era Oxalufam. Xangô ordenou que trouxessem água do rio para lavar o rei. O rei de Oyó mandou seus súditos vestirem-se de branco. E que todos permanecessem em silêncio. Pois era preciso, respeitosamente, pedir perdão a Oxalufam. Xangô vestiu-se também de branco e nas suas costas carregou o velho rei. E o levou para as festas em sua homenagem e todo o povo saudava Oxalá e todo o povo saudava Xangô. Depois Oxalufam voltou para casa e Oxaguiam ofereceu um grande banquete em celebração pelo retorno do pai.


Fonte: guardioesdaluz.com.br