2011-09-19

Na agonia do horto, submissão total ao Padre Eterno








A agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo no Monte das Oliveiras é por certo um dos episódios mais tocantes da Paixão do Salvador.

O quadro artístico, de inspiração chinesa, que o leitor contempla, fixa o momento em que o Filho de Deus, completamente desligado de tudo quanto é terreno, se entrega a um inefável e íntimo colóquio com o Padre Eterno, suplicando: “Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a Vossa vontade” (Mt. 26,42).

A força admirável dessa súplica e instante oração, quem contempla o quadro a pode perceber na elevação da cabeça e na posição ligeiramente inclinada para a frente do tronco de Nosso Senhor.

O empenho colocado pelo Divino Mestre no pedido que está fazendo se reflete em todo seu corpo. Dir-se-ia que Ele quase se desprende da terra de tanto falar com Deus!

O branco de sua túnica inconsútil, ligeiramente rosada, é simbólica da inocência que ele jamais perdeu.

O tom escuro do cinto, entretanto, evoca a tragédia que se aproxima. Bem como o traçado horripilante da vegetação que O circunda, e o pico montanhoso de forma abrupta.

"Então, apareceu-lhes um anjo do Céu, que o confortava” (Lc. 22,43)

A delicadeza de sentimentos aparece por inteiro na representação do anjo. Ele se apresenta numa atitude de muito respeito, parecendo receoso de perturbar a manifestação daquela dor insondável.

Num segundo plano, contemplamos São Pedro, São Tiago e São João que dormem, “porque os seus olhos estavam pesados” (Mt. 26,43).

Depois de ter rezado três vezes, Nosso Senhor levantar-se-á, e, dirigindo-se a eles, dirá: “Basta; é chegada a hora; eis que o Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores...” (Mc. 14,41)


Plinio Corrêa de Oliveira