2011-07-27

A MENINA DAS ESTRELAS








Era uma vez uma menina. Esta menina veio das estrelas e toda a sua vida se perguntou porque estava aqui na Terra em vez de voltar para casa para entre os planetas e os raios lunares. Um dia ela estava no auge do seu desespero.

“Porque é que me deixaram aqui?”, ela chorou. “Porque não podeis vir e levar-me para casa?”

Ela olhou para o céu e implorou que alguém viesse e a ajudasse, a levasse para fora deste lugar a que ela sentia que não pertencia. Nesse momento, um grande clarão de luz apareceu diante dela e lá de pé na frente dela estava um anjo.

“Olá, disse a menina. “Quem és tu?”

“Eu sou o teu anjo, David”, disse o anjo. “Vim para te levar para casa.”

A menina animou-se e saltou aos seus pés. “Vieste para me levar para casa! Não posso acreditar, eu pedi e rezei por este momento! Estava a começar a pensar que nunca virias. Pensei que me tinhas abandonado.”

“Tu nunca podes ser abandonada”, disse David, “pois “nós somos todos uma parte de ti e tu és uma parte de nós, e assim nunca podes estar separada daquilo de que fazes parte.”

A menina encolheu os ombros e disse, “Como quer que seja. Separados, juntos, não me importo. Eu só quero ir para casa.”

David pôs os seus braços de fora e disse, “Vem aqui, pequenina.”

A menina chegou-se para ele. Ele alcançou-a e levou-a nos seus braços e segurou-a.

“Como é que te sentes?”, perguntou ele.

“Bem, sinto-me muito bem. Sinto-me quente e segura.”

“Que mais sentes?”

“Sinto-me amada e protegida e cuidada.”

“Sentes-te em casa?”

“Claro, sinto-me exatamente como em casa!”

Com isto, David olhou para baixo para ela. “Porque pensas isso?”

A menina olhou para ele com um ar confuso. “Bem, porque tu és de lá.”

“Tenta outra vez.”

A menina olhou para ele ainda mais confusa. “Bem, não sei porquê. Diz-me tu.”

“Sentes-te em casa porque é casa. Tu és a casa. Nunca deixaste a casa. Escolheste simplesmente esconder partes de casa da tua vista, dos teus sentidos. Casa é tudo à tua volta. Está dentro de ti. Nós estamos aqui todos contigo, tal como tu estás connosco.”

A menina piscou os olhos. “Mas as estrelas, eu sinto que sou das estrelas?”

“E és, mas também és daqui. Tu és de todo o lado, é tudo parte do mesmo. Apenas sentes saudades das estrelas porque estás a recordar essa parte de ti que foi escolhida para manter essa parte da casa escondida. Agora que se está a tornar visível para ti novamente não chores a parte da casa de que sentiste falta, celebra a parte dela que estás a re-descobrir.”

“Mas quando é que eu te vou ver de novo? Quando vou estar com a minha família de novo?”

“Podes estar connosco o tempo todo sempre. Tu estás sempre connosco. Olha, simplesmente. Escuta, simplesmente. Pede, simplesmente. Nós estamos aqui.”

Com isto, outro clarão de luz e David desapareceu da vista da menina. “Mas ele ainda está aqui” pensou ela, “ele deve estar, ele disse que estava.”

Com isso, a menina deitou-se na sua cama e fechou os olhos.

Ela teve muitos sonhos nessa noite. Ela sonhou com pessoas distantes e lugares e estrelas e planetas e galáxias em que não estava há muito tempo. Ela sonhou com o passado e com o futuro e depois de todos os sonhos ela acordou a lembrar-se de uma coisa. Está tudo aqui agora, está tudo a acontecer agora. Ainda não o podemos perceber, ainda não o podemos ver. Mas está. Agora, o que fazer com essa lembrança?

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© Dana Mrkich 2010. É concedida permissão para partilhar este artigo livremente na condição de que o autor seja creditado, e o URL www.danamrkick.com incluído.
Tradução: Ana Belo – anatbelo@hotmail.com