Puja, ou adoração, trata-se de uma série de rituais realizado nos altares das famílias indianas ou nos templos consagrados, podendo ser sofisticados ou simples.
Quando ele é simples adoração de D'us, ele consiste na reunião das pessoas para o canto de musicas devocionais, acompanhado de instrumentos musicais, bem como para escutar sobre a filosofia e discurso dos Puranas, e para distribuir prashada ( ou alimento sagrado no final da sessão ).
Um Kirtana é um misto de cantos, ato de contar histórias e oferecer adoração a deidade com flores e vários tipos de alimentos.
Puja, o ritual de adoração é muito mais sacramental quando feito com longos upaharas, ou serviços que são realizados na adoração da deidade.
Diversos templos tradicionais decidem o número de upacharas para serem realizados, mas, quase em todos os lugares da Índia há uma certa base que constitui a adoração.
Entre eles está Prabodha, ou o despertar da deidade; Snana, a cerimônia de banho da deidade, Avahana, convocação da deidade; Arcaka, ou as boas vindas; Pradaskhina, a circum-ambulação; Naivedya, oferenda de alimento; Aarti, a lâmpada de adoração; Prarthana, a prece e Visarjana, a despedida.
Nestes Upacharas básicos, a deidade é " desperta " com música e hinos de louvor.
O Nirmalya, ou as flores e folhas que foram usadas cedo, são descartadas e o santuário é limpo.
A cerimônia de banho é feita para um pequeno ídolo 'representativo', usando materiais aromáticos como o açafrão e o sândalo. Então a deidade é vestida com paramentos novos, e são decoradas com ornamentos.
Depois, a deidade é convidada pelo toque de sinos e pelo sopro do búzio.
A partir de então, a deidade recebe as boas vindas mediante o presente de guirlandas, oferecendo-se um assento e ofertando-se água para lavar Seus pés e para depois aspergir nos rituais.
Puja é uma oferta com a mente concentrada e os sentidos energizados para honrar a D'us.
O Puja inclui a recepção e um convite para D'us como sendo nosso convidado de honra em nossa casa.
Para realizar a adoração, vários vasos tradicionais são utilizados nas casas e templos Hindus. Eles são feitos de metais preciosos, cobre ou latão.
Seus formatos, apesar de ser o mesmo ao redor de toda a Índia, variam de forma marginal, de região para região.
Os itens utilizados para a adoração são:
Samai

É uma lamparina de óleo amplamente adornada com flores numa tigela. A lamparina possui vários canais onde são colocados os dip, os pavios de algodão embebido em ghee.
Há um suporte para sustentar a lamparina para evitar que pingue. Os tipos de Samai diferem de região para região. Dip-Lakshmi, a lâmpada da deusa está associada com a prosperidade.
Arati
é arranjado numa bandeja de metal circular, com cinco lâmpadas de ghi, chamadas de nirañjanas, dispostas ao redor e untadas com ghi ou óleo.
Quando acesas estas lâmpadas são usadas em movimentos circulares, da esquerda para a direita, diante da deidade enquanto são realizados sons ou cantos devocionais.
Aarti é um ato de veneração e amor. Eles são feitos para as crianças nos dias dos seus aniversários, para um casal recém casado, ou como sinal de boas vindas para os convidados, e para os membros da família em ocasiões especiais.
Achamani
É uma pequena colher utilizada para banhar os ícones. Há uma pequena tigela ligada ao seu cabo, usualmente no formato de um capelo de serpentes.
Pañchapatri
É como um pequeno tambor no qual é colocado água ou leite e é usado como achamani. Ele é decorado com vários motivos, em cobre ou prata.
Tanto o panchapatri como o achamani podem ser feitos de prata.
Gantha
É uma sineta feita de metal, cobre ou prata, e é usada durante os rituais, ou enquanto é cantado os aartis (adoração à deidade).
Os sinos são considerados sagrados na cultura indiana. Eles são de vários desenhos e estilos, e de diferentes metais, incluindo os de cinco metais, chamados de pañchaloha.
Encontram-se muitos sinos na Índia, nos templos e igrejas antigos, e eles tocam pela manhã e ao anoitecer, para celebrar um elo entre o homem e a divindade.
Kalash
É um pote cheio com um coco e adornado com folhas de manga, sendo uma representação popular Deus.
Tamhan
É um pote cheio com um coco e adornado com folhas de manga, sendo uma representação popular Deus.
Shankh
É uma grande concha que é adorada como um símbolo de Vishnu. Ela é assoprada em rituais para acalmar Deus.
Pañcamrita
(Cinco néctares) são usado nos rituais de banho das deidades, sendo feito de uma mistura em partes iguais de água, leite, iogurte, açúcar, mel e ghi.
Frutas frescas e secas, ou alimentos cozidos, são oferecidos para D'us, sendo conhecidos com o nome de Naivedya e quando são distribuídos aos devotos são chamados de Prashada (restos do Senhor).
A água sagrada é distribuída como puja, é chamada de tirth.
Phull
Cada deidade tem a sua flor favorita. Nos rituais, as flores são escolhidas pelos suas cores, flagrância e beleza.
A folhas de várias árvores e plantas, as quais são consideradas sagradas, são utilizadas.
Guirlandas são feitas em inumeráveis desenhos e feitios, decorando as portas das casas ou dos templos nos dias de festival.

Narayani Puja Dhup
Essências aromáticas, varetinhas de incenso ou agarbattis, cânfora, pasta de sândalo e açafrão são extensivamente usados na adoração, e são oferecidos, também, para criar uma atmosfera agradável.
Outros materiais de puja – pós coloridos como o kumkum (cúrcuma vermelho forte), haldi (turmeric), sindur (ocre), abir e gulal são utilizados para untar as deidades.

Arroz sagrado ou akshata, é feito pela mistura de arroz, kumkum e um pouco de água. Cocos, folhas de betel e nozes são oferecidas, tanto para Deus como para honrar convidados em festivais de adoração.
Rañgoli é predeterminadamente desenhado num padrão de cores e desenhos para pujas específicos, e sua arte segue princípios matemáticos c omplexos.
Prasada
Entre os alimentos oferecidos para Deus encontra-se uma grande variedade de frutas secas, açúcar e arroz descascado.
Cada um dos alimentos é igualmente aprazível para Deus, como tudo oferecido a divindade origina-se do Seu poder criativo. Todos os alimentos eventualmente são chamados prashada ou bênção.
Seguindo-se a isso vem a circum-ambulação, ou caminhada ao redor da deidade com as mãos postas, então se oferecendo alimento e água perfumada suavemente, tudo isso meio a aromas de flores e incenso.
O alimento assim oferecido é mais tarde distribuído para os devotos como prashada, e crê-se que neles há grande poder de bênçãos.
Aarti, e o acompanhamento de prarthana formam um pedido coletivo para a deidade conferir saúde, riqueza e sabedoria.
Os rituais de adoração terminam quando a deidade despede-se pelo canto de mantras.


Uma humilde homenagem e um breve resumo
*Para muitos pode ser incompreensível a existência de um ser tão magnifíco, mas aqueles que abrem o coração ao grande mistério, recebem seu toque sublime e em algum momento de suas vidas, sentem sua presença amorosa.*
Transcrição do livro Autobiografia de um Yogue:
"Os penhascos do Himalaia ao norte, perto de Badrinarayan, ainda são abençoados pela presença viva de Bábají, guru de Láhiri Mahásaya. O recluso mestre conserva sua forma imortal há séculos, talvez milênios. O imortal Bábají é um avatára, que em sânscrito significa a descida da Divindade.
Um avatar não está sujeito à economia universal; seu corpo puro, visível como imagem de luz, acha-se livre de qualquer dívida com a natureza.
O olhar casual talvez não veja nada de extraordinário na forma de um avatar, mas este não projeta sombra nem deixa qualquer pegada no chão. Estas são provas externas, simbólicas, de se haver liberado interiormente da treva e da escravidão à matéria.
A falta de referência histórica a Bábají não nos deve surpreender.
O grande guru jamais apareceu ostensivamente em qualquer século; o equívoco brilho da publicidade não tem lugar em seus planos milenares.
Semelhante ao Criador, único mas silencioso poder, Bábají opera em humilde anonimato.
Grandes seres como Cristo e Krishna vêm ao mundo com um objetivo específico e espetacular; e partem assim que o realizam.
Outros avatares, como Bábají, incumbem-se de obras relacionadas com o lento progresso evolutivo do homem através dos séculos.
Tais mestres sempre se ocultam ao olhar grosseiro do público e têm o poder de se tornar invisíveis à vontade. Por estas razões, e porque geralmente instruem seus discípulos para que mantenham silêncio a respeito de si, algumas figuras espirituais do mais alto porte permanecem desconhecidas para o mundo.
Este avatar usa geralmente o idioma hindu, mas conversa facilmente em qualquer língua.
O imperecível guru não mostra sinais de idade em seu corpo. Parece um jovem de 25 anos, não mais. De epiderme clara, o belo e vigoroso corpo de Bábají irradia um brilho perceptível. Seus olhos são pretos, serenos e ternos; seu longo e lustroso cabelo é cor de cobre.
Bábají pode ser visto ou reconhecido somente quando assim o deseja.
Sabe-se que ele aparece sob formas pouco diferentes, a vários devotos.
Seu corpo incorruptível não requer alimento; o Mestre por isso raramente come.
Ao visitar discípulos, num gesto de cortesia, aceita ocasionalmente frutas ou arroz cozido em leite e manteiga.
Um ávatar vive no espírito onipresente; para ele não existe distância ao inverso quadrado. Portanto, só um motivo existe para que Bábají conserve sua forma física de século para século: o desejo de dar a humanidade o exemplo concreto de suas próprias possibilidades.
Desde o início Jesus conhecia a sequência de sua vida; percorreu cada etapa não em proveito próprio, devido a qualquer compulsão cármica, mas unicamente para soerguer e alentar os seres dotados de reflexão.
Também para Bábají não há passado, presente e futuro - categorias relativas- pois desde o princípio ele conhecia todas as fases da sua vida.
Bábají foi escolhido por Deus para permanecer em seu corpo, enquanto durar este ciclo do mundo. As eras hão de vir e de findar. O mestre imortal porém, contemplando o drama dos séculos, sempre estará presente no palco terrestre.
Láhiri Mahásaya afirmou, que sempre que se pronuncie com veneração o nome de Bábají, o devoto atrai uma benção espiritual instântanea.
* No primeiro encontro entre Bábají e Láhiri, Bábají prometera que apareceria sempre que Láhiri o chamasse, entretanto, após alguns chamados inesperados, (narrados com humor adorável no livro de Yogananda), Bábají alterou o tom da promessa: "doravante não virei mais sempre que me chamar, mas sempre que "precisar" de mim...."*
Assim foi que pouco depois, numa viagem curta de férias profissionais, Láhiri foi a uma Kumbha Mela (festa espiritual nas ruas; comum na India). Ao vagar entre a multidão de monges e sádhus,notou um asceta coberto de cinza, que segurava uma escudela de mendingo. Em sua mente surgiu o pensamento de que o homem era hipócrita, por usar símbolos exteriores de renúncia, sem a graça interna correspondente.
De repente, seu olhar surpreendido caiu em Bábají, ajoelhado diante de um anacoreta de cabelos emaranhados.
"Senhor, que faz aqui?"
"Estou lavando os pés deste homem de renúncia, e depois lavarei seus utensílios de cozinha. - Respondeu Bábají com um sorriso de criança".
"Compreendi então que me indicava sua vontade de que eu a ninguém criticasse, porém visse o Senhor residindo igualmente em todos os templos-corpos, fossem de homens superiores ou inferiores.
"E acrescentou Bábají, o grande guru: servindo a sádhus ignorantes e sábios, estou aprendendo a maior das virtudes, a que agrada a Deus acima de todas as outras - a humildade".
* Naturalmente que transcrevi aqui apenas um minúsculo resumo, pois na autobiografia encontramos relatos muito mais ricos de cenas esplêndidas sobre Bábají e ainda assim, apenas alguns fatos que ele próprio permitiu - conforme afirma Yogananda - por serem convenientes e úteis à divulgação pública. Mais dados sobre Bábaji voce encontra no próximo link e em "A chave de Kriya".

II
(Trechos transcritos da Autobiografia de um Iogue Paramahansa Yogananda)
O estado espiritual de Bábají está além da compreensão humana. A raquítica visão do homem não pode penetrar através de sua estrela transcendental.
Procura-se em vão imaginar o alcance de um avatar. É inconcebível.
A missão de Bábají na India tem sido a de dar assistência aos profetas na execução das tarefas específicas que a vontade divina lhes atribui.
Qualifica-se assim, como aquele que as Escrituras chamam de Mahávatár (Grande Avatar). Ele afirmou ter dado a iniciação iogue a Shânkara,reorganizador da Ordem dos Swâmis, e a Kabir, famoso mestre medieval.
Seu principal discípulo no século 19, como sabemos, foi Láhiri Mahásaya,que infundiu vida nova à perdida arte de Krya.
Bábají vive em comunhão com Cristo; juntos enviam vibrações redentoras e juntos planejaram a técnica espiritual de salvação para esta época.
O trabalho destes dois mestres completamente iluminados - um com corpo, e o outro sem - é inspirar as nações a renunciarem às guerras, aos ódios de raça, ao sectarismo religioso e ao materialismo, cujos males atuam como bumerangues.
Swâmi Kebalananda, meu santo instrutor de sânscrito, passou algum tempo com Bábají no Himalaia.
" O incomparável mestre move-se com seu grupo, de um lugar a outro nas montanhas - disse-me Kebalananda. - Seu pequeno séquito conta com dois discípulos americanos sumamente adiantados.
Depois de permanecer em certa localidade por algum tempo, Bábají diz: "Dera danda uthao" (levantemos nosso báculo e acampamento).
Ele carrega um danda (báculo de bambu). Suas palavras são o sinal para o grupo mover-se instantaneamente a outro lugar. Nem sempre ele emprega o método de viagem astral; às vezes vai a pé, de cume a cume."

"Conheço dois assombrosos incidentes da vida de Bábají - prosseguiu Kebalananda.
Estavam seus discípulos sentados, certa noite, em torno de uma enorme fogueira que ardia para uma cerimônia védica sagrada. O guru, de súbito, agarrou uma acha incandescente e golpeou de leve o ombro de um chela, próximo ao fogo."
"- Senhor, que crueldade! - Láhiri Mahásaya ali presente, fez esta censura."
"- Voce preferia ve-lo arder até ficar em cinzas, segundo o decreto de seu carma passado?"
"-Com estas palavras, Bábají colocou sua mão curadora sobre o ombro desfigurado do chela:" - Livrei-o esta noite, de uma dolorosa morte. A lei cármica cumpriu-se satisfatóriamente com seu leve sofrimento pelo fogo."
"Em outra ocasião, o santo grupo de Bábají foi perturbado pela chegada de um estranho. Com admirável habilidade, ele escalara os penhascos até a plataforma quase inacessível, próxima ao acampamento do guru."
"- O senhor deve ser o grande Bábají. - O rosto do homem iluminara-se com inexprimível veneração. - Estou à sua procura, sem desistir, durante meses, entre esses rochedos proibitivos. Suplico-lhe, aceite-me como discípulo."
"Como o grande guru não desse resposta, o homem apontou para o abismo revestido de rochas, abaixo da plataforma. - Se recusar, eu me atirarei desta montanha.
A vida não terá mais valor para mim, se não puder obter sua direção espiritual em minha busca de Deus.
"- Então salte - disse Bábají sem emoção. - Não posso aceitá-lo em seu atual estado de desenvolvimento."
"O homem arremessou-se do penhasco imediatamente. Bábají deu instruções aos díscipulos surpresos para trazerem o corpo do desconhecido.
Quando regressaram com a forma destroçada, o mestre colocou a mão sobre o morto. Milagre! ele abriu os olhos e prostrou-se com humildade ante o guru onipotente."
"- Agora voce está pronto para o discipulado. - Bábají sorriu com afeto para o ressucitado chela. - Voce passou corajosamente a difícil prova. (era um teste de obediência. Quando o mestre iluminado ordenou: "salte", o homem obedeceu. Se hesitasse, renegaria sua afirmação de que considerava a vida destituída de valor sem a orientação de Bábají. Por isso, apesar de drástico e invulgar, o teste foi perfeito naquelas circunstâncias.)"
"- A morte não voltará a tocá-lo; agora voce é um dos imortais de nosso rebanho."
" A seguir, pronunciou a costumeira ordem de partida:"Dera danda uthao"; o grupo inteiro sumiu da montanha."


Um avatar vive no Espírito onipresente; para ele não existe distância inversa ao quadrado. Portanto, só um motivo existe para que Bábají conserve sua forma física, de século para século: o desejo de dar à humanidade o exemplo concreto de suas próprias possibilidades. Se ao homem jamais fosse concedido vislumbrar a Divindade revestida de carne, ele permaneceria oprimido pela pesada ilusão (máya) de que não pode transcender sua condição mortal.



(Do Livro Autobiografia de um Iogue)
Aos 33 anos, Láhiri Mahásaya viu cumprir-se o designio para o qual se reencarnara na terra. Encontrou seu grande guru, Bábaji, perto de Ranikhet, no Himalaya e foi por ele iniciado em Kriya Yoga.
O rio celestial de Kriya Yoga começou a fluir das secretas fortalezas do Himalaia para as ressequidas moradas dos homens.
( Nota: Láhiri Mahásaya era funcionário do Departamento de Engenharia Militar do governo inglês em Danapur e recebeu um telegrama da matriz com inesperada transferência para Ranikhet, no Himalaia, distante 800 quilômetros, onde era instalada nova base militar. )
"Meu trabalho burocrático não era absorvente; eu podia passar horas perambulando pelas montanhas.
Durante um passeio a esmo nas primeiras horas da tarde, fiquei assombrado ao ouvir uma voz longínqua chamar pelo meu nome.
Continuei com vivacidade e vigor, minha ascensão ao Monte Drongiri.
Cheguei por fim, a uma pequena clareira, em cujos limites se abria uma pequena fileira de cavernas. Num dos bordos rochosos encontrava-se um rapaz sorridente, com a mão estendida para cima, em gesto de boas-vindas. Notei com espanto que, excetuando seu cabelo cor de cobre, ele mostrava notável semelhança comigo.
-Láhiri, voce chegou!
- O santo dirigia-se a mim afetuosamente em hindi.
- Descanse aqui, nesta caverna. Fui eu quem o chamou.
-Entrei na pequena gruta limpa, contendo diversas mantas de lã e algumas escudelas para água.
- Láhiri, lembra-se deste assento? O iogue apontou para um cobertor dobrado no canto da gruta.
- Não, senhor. - Algo confuso pela estranheza de minha aventura, acrescentei: - Devo ir-me agora, antes do crepúsculo. Tenho o que fazer pela manhã no escritório.
O misterioso santo respondeu em inglês: - O escritório foi trazido para voce e não voce para o escritório.
Emudeci, aturdido por este asceta da floresta não só falar inglês mas também parafresear as palavras de Cristo.
-Vejo que meu telegrama surtiu efeito.
- O comentário do iogue era incompreensível para mim; indaguei o que significava.
- Refiro-me ao telegrama que o trouxe a estas regiões isoladas. Fui eu quem silenciosamente sugeriu à mente de seu chefe esta transferência para Ranikhet. Quando alguém sente a sua unidade com os homens, todas as mentes se convertem em estações transmissoras, através das quais se é possível operar à vontade.
- Ele acrescentou: Láhiri, esta caverna lhe parece familiar, não é?
Enquanto eu permanecia em desnorteado silêncio, o santo aproximou-se e delicadamente golpeou minha testa. Sob esse toque mágico, uma corrente maravilhosa atravessou-me o cérebro, revivendo as doces recordações latentes de minha vida anterior.
- Recordo-me! Minha voz se afogava em soluços de alegria. - O senhor é meu guru Bábaji, que sempre me pertenceu!
Enquanto inefáveis reminiscências me subjugavam, eu, em lágrimas, abraçava os pés de meu mestre.
- Durante mais de tres décadas esperei que voce regressasse a mim!
A voz de Bábaji vibrava de amor celestial.
-Voce deslizou para longe, desaparecendo nas ondas tumultuosas da vida-pós morte. Mas embora voce me perdesse de vista, eu nunca o perdi! Através da escuridão, tempestades, marés e luz eu o segui, como ave materna escoltando o seu filhote. Quando sob a forma de um menino, voce chegou ao término de sua existência intra-uterina, e nasceu para este mundo, meu olhar o acompanhava ainda, sempre.
Quando, em sua infância, voce cobriu com as areias seu diminuto corpo em posição de lotus, eu estava invisível, mas presente. Mes após mes, ano após ano, cheio de paciência zelei por voce, aguardando este dia perfeito. Agora voce está aqui comigo!
- Meu guru, que posso dizer? Onde alguém já soube de semelhante amor imperecível? Extasiado contemplei longamente meu perpétuo tesouro, meu guru na vida e na morte.
- Láhiri, voce necessita de purificação. Beba o óleo desta escudela e deite-se à margem do rio.
Pensei com rápido sorriso de reminiscência, que a sabedoria prática de Bábaji se adiantava sempre, como mastro de proa.
Obedeci às instruções. Embora a fria noite do Himalaia viesse descendo, uma quentura, uma radiação confortadora, começou a pulsar dentro de mim. Maravilhei-me.
Estaria o óleo desconhecido impregnado de calor cósmico?
Muitas horas passaram rapidamente; memórias desvanecidas de uma existência anterior entrelaçavam-se ao atual e brilhante paradigma de reunião com meu divino guru.
Minhas solitárias cismas foram interropidas pelo som de pisadas que se aproximavam. Na treva, gentilmente, a mão de um homem me ajudou a levantar e deu-me alguma roupa seca.
-Venha irmão - disse meu companheiro. - O mestre o espera.
Ao chegar a uma volta do caminho, a noite sombria foi repentinamente iluminada por um esplendor estável na distância.
Será o nascer do sol? - perguntei. - Uma noite inteira já se passou?
- É meia noite. - Meu guia riu suavemente.
- Aquela luminosidade é a cintilação de um palácio de ouro, materializado aqui, esta noite, pelo incomparável Bábaji.
No obscuro passado, voce uma vez expressou o desejo de desfrutar as belezas de um palácio. Nosso mestre está agora satisfazendo esse desejo seu e livrando-o assim do último laço de seu carma. O magnifíco palácio será o cenário de sua iniciação esta noite, em Kriya Yoga. Todos os seus irmãos aqui, se reunem num hino de júbilo pelo fim de seu exílio. Contemple-o!
Erguia-se diante de nós, um vasto palácio de ouro rutilante. Com adornos de incontáveis jóias, situado entre jardins paisagísticos, refletidos em lagoas tranquilas - um espetáculo de beleza ímpar!
Segui meu companheiro até um espaçoso vestíbulo de recepção. Aroma de incenso e rosas flutuava no ar; lâmpadas veladas esparziam um brilho multicolorido. Pequenos grupos de devoltos, alguns de pele clara, outros de epiderme escura, cantavam ou sentavam em silêncio, imersos em íntima paz. Uma alegria vibrante impregnava a atmosfera.
- Olhe e regale-se; desfrute os esplendores artísticos do palácio, pois foi criado exclusivamente em sua honra - comentou meu guia, sorrindo com simpatia às minhas exclamações de assombro.
Irmão - disse eu, a beleza desta estrutura ultrapassa os limites da imaginação humana. Por favor, explique-me o mistério de sua origem.
Os negros olhos de meu companheiro brilhavam de sabedoria.
- Nada existe de inexplicavel acerca desta materialização. O cosmo inteiro é uma projeção do pensamento do Criador. Este pesado torrão de terra, flutuando no espaço, é um sonho de Deus.
Ele extraiu de Sua mente todas as coisas, assim como o homem, durante o sonho, reproduz e infunde vida a um mundo povoado de criaturas. Primeiramente, o Senhor criou a terra no plano da idéia. Insuflou-lhe vida; a energia atômica e depois a matéria passaram a existir. Ele coordenou os átomos da terra de modo a formar uma esfera sólida. A vontade de Deus mantém a coesão de todas as moléculas. Quando Ele retirar Sua vontade, todos os átomos da terra se transformarão em energia. A energia atômica regressará à sua fonte: a Consciência.
A idéia "terra"não mais terá existência objetiva.
A substância de um sonho se mantém materializada graças ao pensamento subsconsciente do sonhador. Quando este pensamento coesivo se retira, porque o homem despertou,o sonho e seus elementos se dissolvem. Um homem dorme e erige uma criação-de sonho que ele desmaterializa sem esforço ao despertar. Imita o exemplo arquetípico de Deus. Assim também, quando acorda para a Consciência Cósmica, ele desmaterializa sem esforço a ilusão que é o universo, sonho-cósmico.
Sintonizado com a infinita Vontade onipotente, Bábaji pode ordenar aos átomos elementares que se combinem e assumam qualquer forma.
Este palácio de ouro, instantaneamente criado, é real - no mesmo sentido em que o nosso planeta é real. Bábaji tirou de sua própria mente esta bela mansão e está mantendo unidos os átomos pelo poder de sua vontade, assim como o pensamento de Deus criou o nosso planeta e Sua vontade o mantém. Quando esta estrutura tiver servido a seu objetivo, Bábaji a desmaterializará.
Quem quer que alcance a consciência e a experiência de filho de Deus, como Bábaji, pode atingir qualquer objetivo com os infinitos poderes dentro de si. Uma pedra contém secretas e estupendas energias atômicas; assim também o mais ínfimo dos mortais é uma central elétrica de divindade.
Nosso grande guru criou este palácio, solidificando miríades de raios cósmicos livres.
Apalpe este vaso e seus diamantes; eles suportam com êxito qualquer teste da experiência sensorial.
Examinei o vaso. Suas jóias eram dignas da coleção de um rei. Deslizei minhas mãos pelas paredes da sala, espessas de ouro reluzente. Grande satisfação mental empolgou-me.
Um desejo, oculto em minha subconsciência desde vidas pretéritas, parecia, simultaneamente, saciar-se e extinguir-se.
Meu sábio companheiro guiou-me, através de arcos e corredores ornamentados, até uma série de câmaras ricamente mobiliadas em estilo de palácio imperial. Penetramos num salão imenso. No centro achava-se um trono de ouro, incrustrado de jóias que emitiam faiscante mistura de cores. Ali, em posição de lótus, sentava-se o supremo Bábaji.
Ajoelhei-me a seus pés, no soalho lustroso.
- Láhiri, voce ainda se regala com seu desejado palácio de ouro?
Os olhos de meu guru cintilavam como suas próprias safiras.
- Acorde! Todos os seus anseios terrenos estão a ponto de extinguir-se para sempre!.
Ele murmurou algumas palavras místicas de benção.
- Levante-se meu filho. Receba sua iniciação no reino de Deus, por meio de Kriya Yoga.
Bábaji estendeu a mão, um fogo de homa (sacrifício) surgiu, cercado de flores e frutas.
Recebi a libertária técnica de ioga em frente a este altar flamejante.
O ritual acabou ao despontar a aurora. Em meu estado de êxtase, não sentia necessidade de dormir.
Vaguei pelas salas do palácio, repleto de tesouros e de requintados objetos de arte, e visitei os jardins.
Entrando de novo no palácio, busquei a presença de meu mestre. Ele ainda achava-se sentado no trono, rodeado de muitos discípulos quietos.
- Láhiri, voce está com fome. Feche os olhos.
Quando os reabri, o palácio encantado e seus jardins haviam desaparecido. Os corpos de Bábaji e de seus discípulos, e o meu próprio, encontravam-se agora todos sentados na terra nua, no lugar exato do palácio esvanecido, não muito longe das aberturas ensolaradas das grutas rochosas.
- O palácio já serviu ao propósito para o qual foi criado. E ergueu do chão um recipiente de barro. - Ponha sua mão aqui e receberá o alimento que desejar.
Toquei a tigela; surgiram pães quentes fritos em manteiga, caril e frustas cristalizadas.
Ao come-los, notei que a tigela continuava sempre cheia. No fim da refeição, olhei em volta, procurando água.
Meu guru apontou para a tigela diante de mim. O alimento sumira; em seu lugar havia água.
- Poucos sabem que o reino de Deus inclui o reino das satisfações mundanas. - observou Bábaji - O reino divino estende-se ao terrestre, mas este, ilusório por natureza, não contém a essência da Realidade.
Bem amado guru, ontem à noite, recebi a prova do vínculo de beleza entre o céu e a terra!
Sorri à recordação do palácio desaparecido. "

*Continuação de O Grande Encontro - narrativa de Láhiri Máhásaya, descrita no livro Autobiografia de um Iogue *
" Serenamente fitei o atual cenário, em absoluto constraste com o anterior.
*materialização do palácio de ouro*
O solo árido, o céu por teto, as cavernas oferecendo abrigo primitivo - tudo parecia formar uma graciosa paisagem natural para os santos seráficos que me rodeavam.
À tarde, estava sentado em minha manta, santificada pelo acúmulo de realizações de existências anteriores, quando meu divino guru aproximou-se e passou a mão sobre minha cabeça.
Entrei no estado de nirbikalpa samádhi, permanecendo ininterruptamente em beatitude durante sete dias.
Cruzando os estratos sucessivos do autoconhecimento, penetrei nos reinos imortais da realidade.
Transcedidas todas as limitações ilusórias, minha alma estabeleceu-se inteiramente no altar do Espírito Cósmico.
No oitavo dia caí aos pés de meu guru e supliquei-lhe que me conservasse sempre junto a si naquele ermo sagrado.
- Meu filho - disse Bábaji abraçando - me - seu papel nesta encarnação deve ser representado aos olhos das multidões.
Abençoado desde antes de seu nascimento, por muitas vidas de meditação solitária, voce deve misturar-se agora ao mundo dos homens.
O fato de voce só me ter encontrado, nesta encarnação, quando já era um homem casado, com família modesta e responsabilidades profissionais, tem um sentido profundo.
Voce deve por de lado essa idéia de reunir-se a nosso grupo secreto no Himalaia.
Voce viverá entre a multidão da cidade para servir de exemplo: símbolo do iogue que é também chefe de família.
Os gritos de muitos homens e mulheres desnorteados neste mundo sensibilizaram os ouvidos das Grandes Almas - prosseguiu ele.
Voce foi o escolhido para brindar consolo espiritual através de Kriya Yoga a numerosas criaturas que buscam Deus sinceramente. A milhões de seres sobrecarregados por laços familiares e pesados deveres mundanos, voce inspirará nova coragem, quando virem em voce um chefe de família como eles.
Nenhuma necessidade o obriga a abandonar o mundo, pois internamente voce já desatou os laços karmicos.
Não sendo deste mundo, nele, entretanto, voce deve permanecer.
Muitos anos ainda decorrerão, em que haverá de cumprir conscienciosamente seus deveres domésticos, profissionais, cívicos e espirituais. Novo e doce alento de divina esperança penetrará nos áridos corações dos homens mundanos.
Eles compreenderão, pelo exemplo de seu equilibrio, que a liberação depende mais de renúncias internas do que externas.
A Kriya Yoga que estou oferecendo ao mundo, por seu intermédio neste século, é um renascimento da mesma ciência que Krishna deu a Arjuna, há milênios; e a que foi posteriormente conhecida por Patânjali e Cristo, e por São João, São Paulo e outros discípulos.
Conceda a chave de Kriya somente a chelas (aprendizes)qualificados - disse Bábaji. - Quem promete sacrificar tudo na busca do Divino, está apto a desvelar os mistérios finais da vida através da ciência da meditação.
- Guru angélico, o senhor já prestou um benefício a humanidade com a ressureição da perdida arte de kriya, não o aumentará abrandando as severas exigências para a aceitação do díscipulo?
Peço-lhe, permita instruir em kriya a todos os que buscam a Deus com sinceridade, mesmo que a princípio, não sejam capazes de devotar-se à completa renúncia interna. Homens e mulheres do mundo, torturados, perseguidos pelo tríplice sofrimento ( *físico, mental, espiritual ) precisam de encorajamento especial.
Talvez nunca tentem caminhar para a liberdade se a iniciação em kriya lhes for vedada.
- Assim seja -respondeu Bábaji. A vontade divina se expressou por seus lábios. Dê Kriya livremente a todos os que humildemente solicitarem auxílio."
Após um silêncio, Bábaji acrescentou: - Repita a cada um de seus discípulos esta soberana promessa do Bhágavad Gíta - até uma pequena prática deste rito, o salvará de um grande temor (os colossais sofrimentos inerentes aos ciclos de nascimento e morte)
* Ainda - segundo narrado por Paramahansa Yogananda - "Bábaji, compassivo, prometeu assumir responsabilidade, vida após vida, pelo bem-estar espiritual de todos os kriya yogis devotos e leais que fôssem iniciados por instrutores devidamente autorizados."
Láhiri Máhasaya multiplicou essa promessa de Bábaji, com amor, afinco e dedicação. E através de Yogananda a Kriya foi trazida ao ocidente, possibilitando seu acesso a inúmeras pessoas de todos os credos e nacionalidades .
- OM BABAJI OM! OM LAHIRI OM!



"Quando eu abandonar o mundo, este livro mudará a vida de milhões"
Após a primeira publicação de sua Autobiografia em 1946, Paramahansa Yogananda a revisou por inteiro e publicou uma versão final e completa em 1951, pouco antes de seu mahasamadhi em março de 1952. Em suas revisões finais, ele acrescentou incontáveis novos relatos, incluindo um último capítulo, como se estivesse a despedir-se do palco terrestre. E de fato, como previra, desde então este clássico espiritual vem mudando a vida de milhões, sendo permanentemente reimpresso pela Self-Realization Fellowship com tradução para 26 idiomas.
Best-seller consecutivo atravessando as décadas, a Autobiografia de um Iogue foi considerada com toda justiça, uma das obras espirituais mais influentes do século XX, e, ao que tudo indica, repetirá o feito no século XXI.
Pessoas de todos os credos, profissões e raças, testemunham ao longo dos anos, o quanto ampliaram suas percepções da vida e do universo espiritual, após o contato com este livro de Paramahansa Yogananda. Filiando-se ou não, à sua organização monástica, (SRF), praticando ou não, as técnicas de meditação ensinadas por ele, a unanimidade é geral : todos são tocados de uma maneira impactante desde as primeiras páginas do livro, que desperta um sentimento de amorosidade, entendimento, esperança e fé singulares. Mesmo céticos e ateus ao concluirem a leitura, sentem-se motivados a reverem conceitos, tamanha a surpresa diante de tanta sabedoria que descortina os mais complexos mistérios, em tom espirituoso, alegre e de fácil compreensão.
Um Divisor de Águas
Mais do que uma obra de raro teor espiritual, a Autobiografia de um Iogue torna-se um livro querido e considerado sagrado para muitos, o divisor de águas, o marco para transformações irreversíveis.
A partir daí um hábito se desenvolve: o livro passa a ser presenteado ou recomendado à todos que cruzam o caminho de seus leitores, sejam familiares, amigos ou simples conhecidos. E estes por sua vez, repetem o processo gerando uma reação em cadeia. Conserva-se o primeiro exemplar quase como uma relíquia, se emprestamos logo queremos de volta, até que para não mais emprestá-lo, (sob o risco de não ser devolvido), passamos a comprar vários exemplares para presentear.
Aos que se perguntam o que leva esta obra a ser tão amada, é simples explicar. Próximo ao fim de sua jornada terrena, quando perguntaram à Paramahansa Yogananda porque sua autobiografia tocava tanto as pessoas, ele respondeu :
" Porque meu espírito está neste livro "
É seu espírito apaixonado por Deus, vivo e luminoso, que sentimos nos conduzir de mãos dadas ao passeio por sua vida repleta de narrações inusitadas desde a infância, até seus dias finais em 1951, pouco antes de abandonar o templo físico.
Você está convidado a conhecer nas páginas seguintes, um pouco sobre a história deste best-seller, onde esperamos que sua alma possa sentir o toque amoroso do iluminado mestre.
Jai Yoganandaji!
FONTE: http://www.almasdivinas.com.br/autobiografia_de_um_iogue.htm
Capítulo sobre preparo Mediúnico/ Juramento do Médium e Sacerdote de Umbanda
Estou escrevendo o próximo livro "Umbanda na Umbanda" e gostaria de passar-lhes uma pequena degustação. Será lançado em 2013.
Juramento do Médium
Juro como médium de Umbanda respeitar a Deus e minha religião através da ética dentro das bases Crísticas de Oxalá
Coloco-me a disposição da espiritualidade para servir e ajudar no crescimento de minha casa e de minha religião
Comprometo-me a respeitar a hierarquia, buscar aprender sobre a espiritualidade de Umbanda respeitando com lealdade os fundamentos do templo que me acolheu
Jamais utilizarei de minha mediunidade de maneira desonrosa ou desleal
Juro assim como médium de Umbanda, ser um servidor e aprendiz para enaltecer e elevar em nome de Deus os aspectos de minha religião.
Juramento do Sacerdote
Coloco-me perante as forças de Deus e de joelhos rogo Vossa Luz neste juramento
Comprometo-me cumprir com minhas obrigações, respeitando a base Crística de Oxalá perante a Cúpula da religião de Umbanda e perante o Criador.
Jamais cobrarei pela a obrigação de servir aos necessitados e aos meus filhos
Dedicarei-me a ser exemplo para enaltecer o nome de minha religião
Mesmo diante de minhas fragilidades, mesmo se estiver em dificuldades, não virarei as costas a quem necessita.
Levarei sempre a palavra do bem respeitando as Leis do Universo
Ensinarei o que sei aos meus iniciados
Juro e comprometo-me com minha religião e responderei ao Criador pelas minhas falhas
Juro assim como sacerdote de Umbanda ser leal aos desígnios da espiritualidade maior sendo humilde e levando o amor a todos os irmãos sem distinção!
Preparo Mediúnico
Mediunidade é uma coisa séria. Como citado anteriormente, todos nós possuímos esta qualidade enquanto ser humano encarnado; o que imaginamos atraímos, e mesmo sem saber, manipulamos estes influxos de forças que influenciarão o meio, o medianeiro e as pessoas ao seu redor.
E assim como imãs ou como antenas, captamos informações e passamo-las o tempo todo.
Somos bombardeados por forças e informações e muitas vezes acabamos por pensar ou fazer coisas que não faríamos; é ai que se faz necessário o preparo e a compreensão da espiritualidade, pois podem ser forças de ordem luminosa ou trevosa.
A falta de preparo pode acarretar a um médium que se propôs atuar como medianeiro das forças de Umbanda ações desfavoráveis e isto também influencia seu desempenho no auxilio dos assistidos e na sustentação das vibrações espirituais do templo.
Para o ser humano comum, ou profano, assim entendido aquele que não está dentro de um campo espiritual, as coisas acontecem frequentemente, e estes passam a ser envolvidos por forças degeneradas de ordem trevosa, e são levados, são manipulados por agentes obscuros da espiritualidade.
Independente de religião, o ser humano deve estar em comunhão com Deus, pois se assim não for, muitas vezes sofre consequências, um impacto natural pela ignorância que lhe cega e torna-se um grande alvo das baixas vibrações e seres que estão na sua linha vibratória de afinidade.
Ser médium dentro de um trabalho espiritual, seja na Umbanda, seja no espiritismo, ou em outro trabalho que exija esta qualificação, faz do ser humano um instrumento de trabalho espiritual, onde se faz necessário a manifestação, e as coisas são, e se tornam, totalmente diferentes.
Um médium de Umbanda é totalmente diferente de um médium espírita, ou de um médium candomblecista. Os preparos são distintos, embora o preparo que apresento qualquer medianeiro poderá utilizar, mas o campo mediúnico espiritual do médium de Umbanda é diferente.
A estrutura espiritual de um médium de Umbanda transcende, o medianeiro é capaz de atuar com as forças mais sublimes da criação, bem como está preparado para os impactos de vibrações grosseiras provenientes de agentes das trevas.
Ele pode estar em ambientes distintos como os citados de forma simultânea, dando a este médium uma condição excelsa de atuação, pelo fato de estar dentro da egrégora regida pela cúpula da Umbanda.
Digo que um médium bem preparado é capaz de curar, é capaz de enfrentar verdadeiras hostes do Embaixo, sem sequer ter os respingos de tais vibrações degeneradas.
Muito pelo contrário, o médium que atua dentro deste campo de ação se fortalece a cada batalha, recebe verdadeiros escudos espirituais que lhe permitirão atuar cada vez mais na ajuda e auxilio aos necessitados.
É fato que para ter esta condição o primeiro preparo incontestavelmente é a fé e a maneira que se disponibiliza para a tarefa do servir. Digo assim: fora da caridade não existe salvação!
O médium que tem como lema de sua vida espiritual servir de maneira incondicional sem ver a quem e segue os aspectos Crísticos já citados, tem esplendidamente uma aura e um campo espiritual protegido.
O médium religioso é o contemplativo, é aquele que se reveste das forças dos Orixás, sendo a própria virtude que eles vibram, não guarda rancores e não possui inimigos.
Pode ter os contrários, que por sua vez promovem sua evolução; o fato de ter o perdão em seu conceito de vida,faz com que os seus vínculos de afinidade estejam apenas ligados às esferas superiores, ficando capacitado ao máximo na exímia utilização de suas faculdades.
Este preparo inicial requer desprendimento, requer disciplina em sua vida natural e principalmente na espiritual.
As características espirituais atuam através do campo mental do medianeiro; sua mente só se tornará elevada no momento em que os conflitos internos sejam exauridos de sua vibração mental.
Os medos devem ser tratados; jamais devemos temer agentes espirituais, sejam eles quais forem; respeitaremos sempre; nunca os confrontaremos com ira; nunca vamos desafiá-los; jamais a arrogância deve ser principio de qualquer ação na espiritualidade.
Mas se estamos sobre a égide do Criador, somos palacianos na corte de Luz da cúpula resplandecente de Umbanda, e nada devemos temer pois o medo corrompe a mediunidade, fragiliza o mental e o emocional, que por sua vez abre um campo vasto para seres e forças degeneradas atuarem.
O conhecimento se faz necessário, principalmente sobre as Leis do Bem recitado através de ensinos do nosso Mestre Jesus, ressaltando sempre que o Caboclo das Sete Encruzilhadas assim determinou.
É bom conhecer sobre ervas que vibram aspectos dos Orixás, forças de Deus que estão à nossa disposição e que possibilitam inundarmos nossos campos espirituais mediúnicos com vibrações que nos dão afinidades a correntes espirituais de proteção.
Propiciam um bem fascinante na parte energética, através dos chacras, e vibrações que em influxos ressoam a ação límpida dos poderes de cura que serão manipulados pelos medianeiros.
Como a parte mental é importante para uma boa atuação dentro dos campos espirituais, faz-se necessário o aprendizado sobre práticas meditativas, embora a meditação seja uma ação natural quando contemplamos as forças da Criação.
Busquemos adquirir o hábito meditativo. Este ato promove importantes vibrações de preparo ao medianeiro, facilitando aos guias a conexão de seus fios energéticos às glândulas que sustentam a ligação de manifestações espirituais.
Cada um deve buscar em sua mente meditativa o sentido de seu trabalho religioso, o entendimento de sua encarnação e o porquê se está em um templo religioso, dotando-o de um preparo límpido que os espíritos guias se utilizarão.
O médium, quando entra dentro desta egrégora umbandista, é apresentado através de um batismo, ou através de um cruzamento que simboliza o adentrar deste irmão ao mistério religioso de Umbanda.
A utilização de pemba, água do mar ou cachoeira, de símbolos, permite que o guia faça a conexão deste novo membro às telas da Criação, ou às telas das divindades Orixás.
Um símbolo do mentor de um templo fixa-se no campo espiritual mediúnico do iniciado, sendo esta apresentação o direcionamento a uma nova esfera à qual ele passa a pertencer, ser regido e protegido.
Embora a ritualística caiba a cada caso e a cada templo, na Umbanda as ações sempre serão de forma a se ligar ao poder da natureza e sempre em contemplação, mesmo entre tanta pluralidade de informações.
Muitos médiuns quando iniciados, são levados às cachoeiras, ou mesmo ao mar, sendo colocado diante do poder Orixá, sentindo em si o acolhimento de sua religião.
Embora os rituais sejam distintos em vários templos, sempre estarão respeitando a ordem natural dos guias de luz, onde o amparo se faz presente no preparo e apresentação do iniciado.
Para podermos distinguir sobre um iniciado na Umbanda, e, por exemplo, um iniciado no culto de nação, da cultura do povo Ketu, conhecido como Iaô (ou Iyao), explico que um Iaô faz o buri e é recolhido, recebendo os assentamentos iniciais de suas forças relacionados a esta cultura religiosa.
Ele é chamado de Iaô dentro do período dos primeiros sete anos; após, passa a ser denominado de Egbomi (irmão mais velho) e antes de se tornar Iaô, são chamados de abian (ou abiã, que significa “novato”).
Este rito é proveniente do culto de nação, embora seja executado em muitos templos de Umbanda, chamada Umbanda Omolokô, umbanda africanizada.
É importante ressaltar que se faz necessário respeitarmos este rito, pois é aceito por muitos guias espirituais que militam na religião de Umbanda; sendo assim asseguro ser viável dentro dos padrões espirituais de Umbanda, onde existe a agregação da compreensão africana que se faz presente, embora eu não pratique tais ritos.
Aproveitando este tema, tenho certeza que muitos já ouviram falar sobre “umbandomblé”, uma mistura de Umbanda com Candomblé. Bem, ai é diferente, pois são duas religiões distintas, e como água e óleo, não se misturam.
Embora tenhamos os Orixás como ponto em comum, não absorvemos o contexto ritualístico do Candomblé e sim da miscigenação cultural do povo Banto e outros povos, onde agregamos por sincretismo o nome Orixás.
Ressalto que o Candomblé, assim como o conhecemos, existe apenas aqui no Brasil, pois na África encontramos o culto de nação. Não confundimos a Umbanda Omolokô, que não é Candomblé, com umbandomblé!
Entendendo este ponto que é complexo e tema de muitas discussões, pois muitos não aceitam e outros sim, retomemos nossa linha de raciocínio e vamos ao preparo do médium antes de sua tarefa dentro do trabalho espiritual.
Nosso campo energético interage o tempo todo com o meio em que estamos; assim sendo, é importante que o médium tenha a atenção sobre alguns locais que na verdade estão com suas vibrações viciadas, que por sua vez sustenta seres degenerados.
Lugares como bares, hospitais, cemitérios, boates, motéis são ambientes com atividades constantes de forças que não condizem com a vibração de um trabalho espiritual de Umbanda. É lógico que se for necessário entrar em um cemitério ou hospital, nada que um pensamento Crístico e banhos de ervas não resolvam.
E os nossos guias espirituais, bem como os Orixás, compreenderão se o medianeiro trabalhar nestes locais; aí se faz necessário que o dirigente espiritual faça um trabalho preparatório diferenciado a este médium; este preparo é personalizado e depende de cada caso bem como da regência do templo espiritual deste médium.
Uma observação: é natural o médium em desenvolvimento ser curioso; o ser humano por natureza é assim. Existem muitos templos que se dizem de Umbanda, mas não o são; atuam com trabalhos destrutivos, onde possíveis desafetos recebem de frequentadores ataques terríveis.
Estou entrando neste assunto, pois já estive nessa fase de querer aprender e acabei entrando em lugares desse tipo, onde o dirigente espiritual se diz religioso, ou umbandista, e na verdade esta em comunhão com as forças das trevas através da magia negra.
Para identificarmos esses locais é sempre bom perguntar qual a base daquela casa; se for dito que a base foi a estabelecida pelo fundador da Umbanda, você pode estar no local ideal, ainda tendo que se verificar se as atitudes, dos filhos e do dirigente condizem com a realidade apresentada.
Uma sugestão: se você é médium em busca de uma casa, visite o local por pelo menos três meses, e depois tire sua conclusão, lembrando que não é você quem escolhe a casa e sim os seus mentores espirituais. Se você é um médium visitante, e está em um templo verdadeiramente religioso, ótimo.
Se estiver em um templo degenerado, vai sofrer as consequências e os impactos serão inevitáveis. Cabe sempre um preparo, antes mesmo de visitar qualquer local, como o acender de uma vela ao anjo protetor ou mesmo às suas forças e um banho de ervas, para se proteger.
Adentrando ao assunto depuração de nossas vibrações antes de irmos aos trabalhos espirituais, procuremos compreender sobre a alimentação.
Para aqueles que se alimentam de carne, é necessário que resguardem pelo menos vinte e quatro horas antes do trabalho, mas o ideal é quarenta e oito horas, tempo indicado para a eliminação do alimento. Por que isto?
O animal possui suas vibrações naturais que não condizem com a vibração do medianeiro, bem como as vibrações do sofrimento do animal ficam no campo espiritual e energético das pessoas através das toxinas e da dimensão distinta do animal. Não é indicada a ingestão de carne por este motivo. Colocando as palavras de Ramatis: Vocês que se alimentam de carne estão saciando sua fome com cadáveres.
Mas aqui segue uma experiência própria. Um medianeiro que atua nos campos de descarregos, desobssesões, atuando nos maiores impactos dentro da espiritualidade onde trabalha com seus guardiões na linhagem de desfazer trabalhos de ordem trevosa, necessita de alimentos que contenham sangue.
Um medianeiro vegetariano, embora com sua aura límpida, não tem sustentação para confrontar e eliminar trabalhos em que, na grande maioria, foi utilizado o sacrifício animal.
Sou médium desde meus nove anos de idade; terminei meu desenvolvimento com a firmeza de preparo aos dezoito anos; desde então nas giras de esquerda, meu Exu indica que eu coma carne nos dias desses trabalhos. Isto eu, pois a regra geral é para que os médiuns não ingiram carne horas antes dos trabalhos espirituais.
Parece um contra-senso, porém toda regra tem suas exceções, onde, neste caso, invariavelmente encontram-se certos atributos que vão favorecer um determinado trabalho, ou médium, a fim de exaurir por completo as nocividades excedentes no meio humano.
Um dia pode até ser que eu mesmo vire um vegetariano; mas acredito que quando isto ocorrer, algumas tarefas na linha em que atuo, serão modificadas, ou mesmo outro medianeiro passe a exercer a função determinada a mim, e há outros que com certeza atuam desta maneira.
Alimentar-se de frutas, verduras e leguminosas dará ao medianeiro uma excelente vibração espiritual; seu campo áurico estará propício para as tarefas de cura. Beber água é uma fonte rica de energias positivas; o ser humano deve tomar no mínimo um litro e meio de água para um bom funcionamento de seu corpo.
O ideal, para não fazermos distinção entre o homem e a mulher, é um consumo de cerca de três litros por dia, incluindo o que consumimos de líquidos através, inclusive, dos alimentos.
Assim acontece com o medianeiro que toma água; indo além, quando se ingere água permite-se atuar melhor no descarrego, e na parte curadora.
Os espíritos guias encontram vibrações que são exuberantes através do chacra umbilical, possibilitando o envolvimento dos seres degenerados, que são levados aos campos aos quaispertencem, isto na desobsessão.
Na cura, os espíritos que atuam na corrente médica usam os influxos do medianeiro para beneficiar o assistido; assim eles conseguem manipular fórmulas curadoras que utilizam nos necessitados.
A alimentação, bem como a ingestão de água de maneira correta, melhora a atuação do medianeiro, sendo fonte importante do preparo de seu campo mediúnico espiritual.
Também se deve tomar cuidado para não ingerir água demais. Se tudo que é bom tem na sua falta uma fonte de problemas, o excesso também deve ser evitado.
O baixo consumo de água traz questões metabólicas e funcionais ao organismo humano. O excesso deve ser evitado em razão não só da toxicidade existente na nossa água, bem como porque os rins têm uma taxa de eliminação de líquidos que deve ser respeitada.
Médiuns que possuem algum tipo de vício têm sérias dificuldades no trato espiritual; o alcoolismo degenera o campo espiritual, dotando o medianeiro de vibrações que se tornam afim com seres mais densos.
O tabaco atua no bloqueio de energias que são regeneradoras dos campos vibratórios dos assistidos, bem como dificulta a conexão do médium com o guia.
A maconha segue com os mesmos sintomas do tabaco, porém, com nuances que ligam o campo do medianeiro a espíritos sofredores. Quando se fuma maconha, entra-se em um estado de euforia que ilumina o campo energético relacionado ao chacra básico, atraindo estes irmãos negativados.
Drogas como a cocaína, anfetamina, crack e outras do gênero, atuam destruindo os centros de força, desregulando-os totalmente; tais medianeiros passam a ser vampirizados por seres de ordem densa, acontecendo o bloqueio espiritual entre médium e guia de luz.
Em hipótese alguma um médium deve entrar em uma sessão após ingerir bebidas alcoólicas, fazer uso de drogas. Em relação ao tabaco existe certa tolerância, mas deve ser evitado o quanto possível.
O preparo de um médium sempre deve ocorrer através do compartilhamento com a mãe natureza, lembrando que a Umbanda é um culto à natureza.
Nossos campos mediúnico espiritual, energético, mental, emocional, são sensíveis às energias existentes, sejam elas de cunho positivo ou não.
Desta forma, as pessoas em geral muitas vezes se sobrecarregam de fatores energomagnéticos, nocivos ou não, e são influenciadas diretamente.
Como citado em relação a ambientes que possuem cargas viciadas que os medianeiros devem evitar antes de ir ao seu trabalho litúrgico, digo que em outros ambientes comuns também encontramos forças estagnadas que nos envolvem.
Desta maneira necessitamos de forças relacionadas ao sol, à chuva, à terra, à água, ao ar, e tudo isto de uma só vez; assim estaremos livres de aspectos degenerados e ainda positivando toda a esfera de forças que possuímos.
Esta aglutinação de forças só se faz presente nas ervas, sendo ainda que, as ervas, em sua variedade e dotadas de uma pluralidade de vibrações, nos dão a condição de classificá-las e distingui-las em suas ondas vibratórias a determinadas forças dos Orixás.
Assim, encontramos, por exemplo, o boldo, que pode ser relacionado a Oxalá, também conhecido como tapete de Oxalá, o manjericão, para Xangô, aroeira para Ogum ou Exu, e assim por diante, onde determinadas ervas são direcionadoras destas forças de nossos pais Orixás.
Cada templo e cada dirigente espiritual possuem seus próprios fundamentos em relação às ervas e as indicam de forma direcionada aos seus filhos. Podemos classificar algumas mais conhecidas; porém, existe uma variedade esplêndida de ervas que darão aos médiuns o preparo necessário para suas atividades espirituais.
Deve-se lembrar que as ervas ainda são utilizadas para os banhos dos assistidos, onde os espíritos guias os recomendam, inclusive como chás para beneficiá-los.
Em minha casa, todo filho que é indicado pelo guia chefe para compor a corrente mediúnica, passa a possuir um assentamento de força que vejo como vital em meu trabalho. Este assentamento de força está direcionado ao anjo protetor, ou anjo da guarda.
Faz-se necessário, como preparo, que o medianeiro tenha o hábito de firmar seu anjo protetor. Só para que possamos compreender o termo “firmar”, explica-se que se trata de um ato de comunhão de introspecção, onde passa a existir a contemplação de suas forças. Faz-se fundamental que o dirigente ensine esta necessidade de oração, de meditação.
O acender de uma vela deixa de ser um ato apenas ritual, para ser um ato contemplativo de grande valor religioso.
É o próprio religar a Deus, se tornando um ato único e que define uma força que chamamos de fé atuante representada pelo fogo da vela, que expande os poderes da Criação ao medianeiro.
É desta maneira que os espíritos guias atuam em relação a acender uma vela quando em trabalho, fixando suas forças, trazendo os aspectos de seus mistérios ao templo, ao medianeiro e ao assistido. Estes fundamentos são o ponto crucial de preparo do médium; quando este passa a compreender tais ritos, ele abre em seu campo mental o que é chamado de poder atômico.
As forças dos Orixás se conectam aos seus centros de força, permitindo a canalização e, em trabalhos espirituais, a manifestação.
O preparo do médium passa também pelo aspecto de como ele interpreta algumas ações dentro do templo. O adentrar em solo sagrado, que é o seu templo de umbanda onde ele atua como religioso, possui fundamentos e forças que se tornam parte de suas próprias energias.
Antes de qualquer trabalho religioso, o médium faz o que já foi citado, tomando seu banho de ervas, firmando seu anjo protetor, colocando sua roupa ritualística religiosa, e, chegando ao templo, saúda a entrada, tocando o solo realizando o sinal da cruz.
Desta maneira, o medianeiro saudou o Alto, o Embaixo, a Direita e a Esquerda do templo. Vai até a tronqueira e reverencia os guardiões pedindo licença. Vai até o seu dirigente, lhe pedindo a benção. Vai até o altar e, tocando seu frontal nele, pede licença para sua tarefa espiritual, entregando-se como médium de Umbanda, para a prática da caridade.
Disciplina é um fundamento necessário para todos estes preparos; ser médium de Umbanda requer este atributo; creio que os preceitos só são realizados pelo medianeiro que possui esta disciplina.
O preparo anterior aos trabalhos espirituais também envolve o lado sexual, pois a troca de influxos através do ato sexual faz com que o campo mediúnico fique defasado em vibrações vitais que são utilizadas pelos espíritos guias. Sendo assim, nas vinte e quatro horas que antecedem o trabalho evita-se o contato sexual, bem como nas três horas seguintes.
É importante entender que o ato sexual não é visto como força negativa, ou pecaminosa; muito pelo contrário, é um aspecto importante, não só em razão da reprodução, como também para o equilíbrio de nossas energias.
As glândulas, através dos hormônios, regulam-se quando existe esta troca; as glândulas eliminam e produzem efeitos que ajudam o bom andamento de nossos órgãos e, por consequência, nossas energias e a nossa própria saúde.
A disciplina envolve tudo dentro de um templo religioso; o médium deve sempre observar os fundamentos que a casa traz, e assim seguir esse padrão. Os espíritos guias agem da mesma forma; entram em sintonia espiritual com a coroa do templo e assim atuam seguindo a hierarquia natural da casa onde prestará o auxílio como espírito guia.
Ressalto mais uma vez em relação às vestes, que é fundamental que as roupas sejam consagradas ao trabalho espiritual, trazendo em si um aspecto comportamental. Vestes decotadas, curtas ou apertadas não condizem com o meio ritualístico religioso, sendo sábia e prudente a utilização de uma vestimenta ritualística adequada.
Os preparos dos médiuns possuem uma variação de acordo com a doutrina aplicada; é, e sempre será fundamental o médium seguir as normas da casa, mesmo que estas sejam diferentes das aqui mencionadas; este trabalho escrito tem apenas um cunho informativo sobre este tema tão relevante.
Pai Ortiz Bello
Próximo Livro "Umbanda na Umbanda" Ortiz Belo de Souza em 2013.